Viveka (discernimento) e Vijnana (discriminação) - Uma dupla imprescindível
O que faz o estudante da Advaita Vedanta para atingir a tal Unidade – desvanecer-se do véu de Maya e tornar-se iluminado (Buddha?)
Para alcançar essa Unidade (Yoga), o estudante da Advaita Vedanta usa, como ferramenta mais importante, o discernimento. Na senda do estudante vedantino, vijñana só vai até um ponto. Viveka permanece eternamente com ele.
O estudante habitua-se a perguntar: “Isso é Brahman?”.
E a resposta é: “Neti, neti”.
“Neti, neti” significa, em tradução literal, “isto não, isto não”.
A prática da filosofia Vedanta é uma aventura fascinante. Em um primeiro momento, o estudante discrimina os objetos (exteriores e interiores); em seguida, discerni sobre eles para, através desse discernimento, perceber a unidade de tudo o que existe.
Assim, a busca da real natureza, da essência das partes (khanda), leva-o à Unidade Inquebrantável (Akhanda).
Viveka é a ferramenta que o conduz à correta meditação. E é na meditação que suas "melecas" emocionais, suas imperfeições, se apresentam como num filme diante do estudante.
É aqui que vijñana deixa de existir para ele. Se, no momento da meditação, o estudante discrimina algo que lhe aparece como uma situação já resolvida, o estado meditativo, que é difícil de se atingir, cessa instantaneamente.
Mas, por que o estado meditativo desaparece? A resposta é simples.
O objetivo do estudante é transcender o ego e não afirmá-lo. Separando em ignorância, no automatismo, o que considera resolvido do que considera ainda sem solução, ele está exercitando o seu ego e não removendo-o.
É nesse ponto que entra viveka, o discernimento. O estudante, primeiro, discerne sobre as imagens de sua meditação (isso é isso, aquilo é aquilo) e esmiúça cada ponto de sua visão (por que isso é isso? por causa disto, disto e disto), descobrindo as falhas a serem corrigidas. Mas, é preciso ressaltar que o estudante se depara com testes meditativos que seus amparadores (gurus, guias espirituais) lhe propõem, e irradiações negativas, que espíritos menos esclarecidos lhe impõem com o intuito de confundi-lo.
Assim, são postas à prova sua capacidade de discernimento, sua firmeza (Akhanda) na concentração, sua firmeza de propósito e sua fé (shrada).
A meditação é a ferramenta que lhe permite lapidar o diamante de seu ser.
O estudante avançado, pela prática constante do discernimento, medita onde quer que esteja, seja na floresta, seja no centro de uma grande cidade. Ele sabe que o templo é o seu corpo, que o altar é o seu coração, e que o amor por Tudo é sua oferenda a Deus. Ele se refugia na caverna do coração e a ilumina com a fogueira da sabedoria conquistada pelo discernimento e pela vivência.


