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A Ciência do Yoga – uma breve apresentação

Escrito por Enki. Posted in Yoga

A palavra yoga vem do sânscrito, antiga língua indiana.

Ela tem sua raiz na palavra yuj, que significa "unir", ou ainda, "ligar", "conectar".
Num aspecto mais profundo, a palavra representa o meio, o suporte para a união ou ligação entre dois pontos. Nesse sentido, a palavra passa a ser utilizada como um caminho, um método de suporte para o autoconhecimento.

O objetivo dessas práticas e métodos é a conquista da expressão do estado conhecido como Samadhi, estado de percepção unitiva, onde os níveis de auto-percepção se diluem gradualmente até a plena diluição, culminando na liberação ou moksha. Esse estado é caracterizado pela identidade entre o espírito individual com o Espírito Universal.

 

 

O yoga quando visto como método possui 4 subdivisões principais: Raja, Jñana, Bhakti e Karma.

O Raja Yoga é o caminho integral. Foi compilado pelo sábio Patañjali e possui 8 "membros" ou partes. São eles: Yama (auto-restrições), Niyama (auto-observâncias), Asana (posturas para a purificação corporal), Pranayama (práticas de limpeza e controle da energia sutil – bioenergia - ), Pratyahara (prática que leva ao controle sensorial, culminando na abstração dos sentidos), Dharana (prática que leva à percepção profunda de um objeto – concentração - ), Dhyana (prática que leva à percepção da fluidez da Luz da Consciência – meditação - ) e Samadhi (o controle e aumento gradual da fluidez da Luz da Consciência, gerando no final do processo, moksha, a liberação). 

Raja pode ser traduzida como real, no sentido de realeza, reino. É o método mais sublime do yoga.
De maneira simplista, podemos dizer que o Raja Yoga engloba todas as outras 4 formas principais de Yoga.
Está relacionado às investigações mais profundas da mente e suas relações. Utiliza-se da meditação como ferramenta principal. [saiba mais]

Jñana Yoga é o caminho do conhecimento.

De maneira geral, usa-se a capacidade discriminativa e discernitiva para a investigação das nossas relações com os objetos, sejam eles pessoas, coisas ou ideias.

Como método, o Jñana Yoga busca destrinchar a forma como observamos e interagimos com os objetos.
Ao interagir com o objeto, geralmente não fazemos distinções entre o objeto em si, o conceito que se formou em relação ao objeto e a nossa relação com esse conceito.

Essa forma de interação, buscando retirar dos objetos toda a nossa projeção emocional, é o método de Jñana Yoga.

O método conhecido como Bhakti Yoga é comumente relacionado à devoção, onde o amor e a entrega ao divino são reverenciadas.

No entanto, como método Bhakti envolve práticas mais profundas, buscando estabelecer nas relações com os objetos sua percepção essencial, culminando com sua assimilação pelo praticante.

De forma simplista, o método consiste em práticas para transformar bhava em Bhakti.
Bhava é, de forma simplista, a prática de transformação da emoção em sentimento, da simpatia em empatia.

Bhakti é a expressão da mais pura empatia, resultado da assimilação do objeto pelo observador, através da compreensão essencial do objeto. Essa compreensão é expressada na forma da compaixão.

Karma Yoga é o método que busca a compreensão de nossa Real Natureza (Consciência Pura) através das ações e das relações que desenvolvemos ao agir.

De forma simplista, a prática consiste em transformar uma ação não-lúcida, automatizada e reativa, numa ação lúcida, proveniente de uma escolha consciente e proativa.

A palavra karma vem do sânscrito e tem como tradução "ação". De forma mais precisa, representa todas as ações não-lúcidas que realizamos, gerando por consequência, relações não lúcidas.

O método consiste de práticas que visam transformar a ação reativa, uma escolha não-lúcida, em uma escolha lúcida, gerando a ação consciente.
Essa ação consciente recebe o nome de Dharma em sânscrito.

O processo de transformação de Karma em Dharma é chamado de Kriya, a ação purificadora, ordenadora.
Kriya é o ato de perceber a não-lucidez e mover-se em direção à lucidez. Kriya yoga é um "acessório" presente em todos os métodos de yoga.
É a expressão do pulso que nos direciona ao divino. É a energia utilizada em todo processo alquímico espiritual.

Quando karma é realizado, suas reações e relações podem ser de gosto (boas) e desgosto (ruins). Dessa forma, quando elas (as reações) nos tocam, chamamos de sorte, providencia (quando boas) ou azar, castigo (quando ruins).

Essa conclusão só ocorre devido a nossa falta de lucidez do processo da ação em si. Como não conseguimos traçar a causa, não compreendemos o efeito, atribuindo-os a elementos externos (Deus, inimigos, amigos, contextos, etc.).

Mas quando a ação é lúcida, ou seja, Dharma, conseguimos a causa de suas reações e, na observação do efeito, atribuímos os resultados (positivos ou não) à nossas escolhas.

Além dessas quatro escolas principais, temos uma quinta tão importante quanto as outras e que por vezes é colocada no lugar de uma das quatro citadas acima. É a Laya Yoga, muitas vezes chamada de Kundalini Yoga.

O método consiste em aumentar a percepção da energia primordial que irradia da consciência de forma natural, chamada shakti quando indiferenciada e de kundalini quando localizada.

Em suas práticas são trabalhadas as percepções da energia vital, o prana, e sua movimentação consciente pelos canais de energia do corpo (nadis) e centros de irradiação energética do corpo (chakras). [saiba mais]

Cada centro (chakra) é visto como um portal da Consciência, facilitando a filtragem e compreensão dos caldos emocionais que nos afligem diariamente, gerando tendências de ações (vasanas) baseadas em nossas impressões (samskaras).

Observar e regular a energia nos chakras e nadis é primordial para o desenvolvimento e compreensão de estados conscienciais mais plenos, equilibrados e sutis.

 

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