Bhaja Govindam
A mais ou menos 2500 anos nasceu em uma vila chamada Kalady, de um casal bem educado da casta dos brhamanes, Sivaguru e Aryamba, um lindo garoto.
Esse garoto com o passar dos anos viria a se tornar o maior filósofo de seu tempo e um dos maiores de todos os tempos.
Esse garoto foi Shankara.
Shankara foi um grande reformador espiritual, tendo reestruturado todas as 72 formas de práticas religiosas em formas aceitáveis e condizentes com as seis formas de adoração baseadas nos Vedas. Foi o grande pregador do conceito Advaita ou monismo puro.
Escreveu muitos textos, sendo o texto apresentado a seguir um dos mais conhecido, junto com o Viveka Chuda Mani, ou “A jóia suprema do discernimento”.
A reprodução desse texto é permitida, desde que mantida as fontes originais.
Bhaja Govindam
Composto por Sri Adi Sankaracarya – Traduzido por prof. Enki
Este é um dos mais amados poemas devocionais em toda a historia da Índia, composto pelo grande sábio Sri Adi Sankaracarya.
1
Ame a Govinda, Ame a Govinda,
Ame a Govinda, Ó mente tola!
Quando você estiver nas portas da morte,
As regras de gramática que você está tentando dominar não serão de nunhuma valia.
2
Tolo! Desista desse insaciável desejo por riqueza.
Seja sábio e desenvolva o contentamento sereno
Esteja satisfeito e feliz com os frutos do seu próprio trabalho.
3
Atiçado pela beleza das mulheres, pelos seios e cintura,
Não se permita perde-se:
Eles são apenas formas de mera carne fresca,
Pense neles dessa forma cada vez que você olhar para eles.
4
A água cai sobre a folha de lótus e ela treme.
Assim como a vida, preciosa e instável.
A sabedoria desse fato lhe dá controle sobre a doença e a ansiedade,
E atinge duramente o pesar.
5
Quanto mais você é capaz de ganhar,
Mais seus conhecidos se tornam apegados à você.
Depois disso, quando o seu corpo perder a firmeza,
Ninguém irá falar de você, mesmo em sua casa.
6
As pessoas em casa se concentram em seu próprio bem estar
Por quanto tempo durar a vitalidade em seu corpo.
Quando o ar vital abandona o seu corpo,
Até mesmo sua esposa terá medo de seu cadáver.
7
A infância passa em brincadeiras, pensamentos de amor direcionam a juventude.
O idoso se preocupa com o destino de seus filhos e de sua esposa.
Toda a sua vida é perdida em uma ou outra ansiedade.
E em nunhum estágio o homem volve a sua mente à Deus.
8
Quem é seu amado? Quem é seu filho?
Muito estranho é o apego à família.
Quem são eles? Quem é você? De onde você vem?
Meu irmão, reflita sobre todas essas verdades.
9
A companhia de boas raízes eliminam todo o apego.
Onde não há apego, não á delusão.
Quando a delusão se esvai, a mente se torna firme.
Uma mente firme torna possível a perfeição mesmo que esteja nesse mesmo corpo.
10
Quando a juventude se for, onde está o quarto onde se perder na luxuria?
Onde está o lago quando toda a água foi drenada?
Quando a riqueza se foi, onde estão seus conhecidos?
Quando a Verdade é conhecida, onde está o apego ao mundo?
11
O prazer e as riquezas da vida mundana são aparências e ilusórias.
Realizar sua impermanência, nos prepara para a renuncia.
O sábio que conquistou essa renunciação possuiu maturidade na mente.
A renunciação da imaturidade irá fazer deles objetos do ridículo.
12
Crespúculo e Aurora, Dia e Noite,
Inverno e Primavera, vem e dançam, e depois se vão.
Assim enquanto o Tempo brinca, a vida voa para aquele que carece de lucidez.
E o desejo não nos abandona, mas nos mantém em suas garras.
13
Homem louco! Homem Tolo!
Porque se importa com mulher e ouro?
Você sabe que em todos os três mundos é a boa companhia
O único barco que é capaz de transportá-lo pelo mar da vida?
14
O asceta com seu cabelo emaranhado,
Renunciantes com suas cabeças raspadas
Portadores de roupas monásticas, todos possuem olhos mas não vêem.
Esses são despistes criados para trapacear o mundo e encher a barriga.
15
O corpo se exauriu
Sem dentes e com cabelo branco
O velho homem só caminha amparado por um cajado.
E mesmo assim ele permanence firmemente apegado aos desejos.
16
Sentar-se ao fogo ou sob o sol escaldante,
Dormir a noite com os joelhos como traviserios,
Segurar as mãos em oração para as almas, vivendo sob as árvores;
Nada disso o livrará das garras dos desejos.
17
Um homem pode banhar-se no sagrado Ganges ou no mar,
Observar todas as austeridades, ou ser generoso dando o que lhe pertence.
Mas todos os caminhos de fé concordam que nada disso trará liberação.
Nem em cem vidas, se não encontrar o verdadeiro conhecimento.
18
Quem pode tirar a felicidade do homem,
Se essa felicidade está em viver nos templos abertos
Ou sob as árvores, dormindo no chão e enrolado em peles,
Libertando-se de toda a posse e deleitamento?
19
Seja praticando Yoga ou desfrutando dos deleites,
Seja na companhia de outros ou completamente sozinho,
Se a mente de alguém encontra a felicidade na comunhão com Brahman,
Esse ser e verdadeiramente feliz.
20
Apenas um pequeno estudo do Bhagavad Gita,
Beber uma gota de água do Ganges,
E mesmo uma adoração casual de Murari -
Isso irá te libertar do embate com a morte.


